Infinity Nordic Masters

Nosso correspondente nas gélidas terras do norte europeu, João Marcelo, teve o prazer de participar do Nordic Masters, recentemente. Leiam como foi!

Pra quem acompanha o ITS (Infinity Tournament System) da Corvus Belli, uma das novidades do ano passado foi a criação dos Torneios Satélite, eventos maiores, com pelo menos 36 jogadores, e realizados regionalmente que iam oferecer uma vaga garantida pros vencedores no Interplanetário 2018 (a “Copa do Mundo” de Infinity, na Espanha).

A ideia era fazer eventos maiores, com mais prêmios e jogadores, para difundir o jogo e fazer uma boa “peneira” de qualidade para o Interplanetário. Um desses eventos, O Infinity Nordic Masters, foi realizado no último fim de semana de fevereiro em Copenhague, e eu tive a chance de poder participar.

Se você nunca participou de um evento de Infinity, a primeira coisa que chama a atenção são as mesas. Num evento menor costumam ser 6 a 8 mesas bem armadas, com 3 ou 4 vezes mais cenário que o costumeiro em outros sistemas populares. No Nordic Masters eram 19 mesas espetaculares, pra um total de 38 jogadores, como vocês podem conferir nas fotos. Apesar de não ser um dos maiores eventos satélite, surpreendeu pela organização, pela qualidade dos jogadores e pela quantidade de prêmios oferecida. Praticamente todos os participantes, de pelo menos 5 países diferentes, voltaram pra casa com mais que o valor da inscrição em prêmios.

O torneio se realizaria em 2 dias, um total de 5 missões com partidas de duas horas cada. As missões seriam, em ordem, Acquisition, Power Pack, Unmasking, Comms Center e Capture and Protect. A seguir faço um pequeno relato de cada jogo.

Primeiro dia – Sábado 24/2

Round 1: Acquisition

Acquisition é uma missão bem interessante, onde o jogador tem de ativar E controlar objetivos no final do jogo para pontuar. Meu primeiro oponente jogava com Tohaa, e foi legal porque eu nunca tinha jogado contra os cabecinha de alcachofra.

A lista dele tinha três tríades, e pelo menos 3 Heavy Infantries, o que com certeza complicava minha lista. Eu jogo com Hassassin Bahram, que é uma lista bem especializada mas com pouco acesso a miniaturas com mais de um wound e armaduras pesadas.  Minha sorte é que ele também tinha pouca experiência jogando contra Haqq e sofreu bastante contra minhas unidades camufladas.

O primeiro turno foi bem travado, com bastante ARO dos dois lados, e eu movendo rápido pra chegar nos objetivos. Meus Mutts não se pagaram, e foram rapidamente detonados pelos dois modelos com MSV2 que o sueco usou pra controlar as avenidas de tiro na mesa. Já os Daylami foram os heróis da partida, e pra mim do torneio todo. Entre tiros de panzerfaust e escopeta leve derrubaram a metralhadora pesada e uma tríade inteira. Nada mal pra 8 pontos.

No segundo turno o melhor na mesa foi o impersonator (Hussein Al’Djabel), que segurou bem a onda, derrotando um heavy infantry em combate corpo a corpo, mas acabou morrendo numa troca de tiros boba no último momento.  Por conta disso, meu oponente conseguiu virar um parcial de 8-0 a meu favor pra 2-3, arrancando uma minor victory nas três últimas ordens do jogo. Matei mais do dobro de tropas dele, mas o que vale são os objetivos.

Round 2: Power Pack

Power Pack é bem simples, tentar ativar o console adversário e as antenas no meio da mesa e prevenir que ele ative o seu. Jogando contra Nomads, que eu já conhecia, e um cenário que eu já tinha usado antes. A mesa extremamente cerrada forçou um jogo bem cauteloso onde as tropas de longo alcance foram pouco eficientes.

Eu poderia ter usado melhor a cobertura da fumaça, mas consegui dominar minha metade da mesa e ameaçar o flanco direito do meu oponente. No final do segundo turno cheguei a estar na liderança, mas no finzinho do jogo, graças à péssima pontaria das minhas tropas, meu oponente conseguiu ativar uma antena e arrancou um empate de 5-5. Novamente, matei bem mais que meu oponente, mas faltou capitalizar melhor nisso.

No intervalo entre rounds, enquanto o pessoal almoçava, foi feita a votação de melhor army. Todos “ganharam” uma mesa pra posar seus exércitos e cada participante tinha um voto.

Round 3: Unmasking

Essa missão foi lançada depois das outras, e foi a surpresa do torneio, substituindo a missão The Grid quando faltava uma semana pro evento. Ou seja, ninguém treinou nela. Também era a missão chata que exigia que você tivesse 3 HVTs na mesa. Muita gente usou marcadores ou proxies, mas eu fiz um mutirão e pintei mais 2 HVTs pra ficar bonito na mesa.

Pra meu desespero, encarei Yu Jin, carregado de ninjas, REMs com MSV2 e HI. Por algum motivo, eu tenho bastante dificuldade de jogar contra Yu Jin, e ainda não encontrei uma formula pra lidar com eles. Também não ajudou que a mesa pra nossa partida era a das docas, que é totalmente aberta, e eu tive o azar de cair do lado mais “descoberto” da mesa. Pra matar de vez, meu oponente insistiu veementemente que meus Mutts não podiam usar a ordem de Extreme Impetuous para jogar fumaça e mover-se, sendo obrigados a mover-se no aberto com a ordem integral. Eu como noob, estrangeiro e cara legal que não leu direito a regra, aceitei e deixei rolar.

Resultado: fui destruído rapidamente, perdendo mais de 200pts de tropas e ele ganhou uma Major Victory de 8-1.

P.S.: Depois do jogo confirmei com a organização que ele estava errado, e eu poderia ter enchido a mesa de fumaça. Mas não adianta chorar sobre o leite derramado.

Segundo dia – Domingo 25/2

Round 4: Comms Center

Essa era a missão que eu mais tinha jogado antes do torneio. E ainda dei sorte de pegar a mesa “Árabe”, que todos estavam elogiando durante o torneio. Realmente estava linda, e com bastante cobertura. Pra meu azar, o oponente era outro cara jogando com Yu Jin.

Agora mais esperto, e usando bem a fumaça e meus Daylami, consegui conter as tropas dele e até derrubar bastante coisa, em particular as infantarias pesadas e os remotes, segurando o empate até quase o fim. Mas meu oponente soube usar bem os hackers (3!), o que me impediu de cumprir o objetivo confidencial, ter focado nos meus especialistas, pra me impedir de cumprir objetivos, e o maldito hacker ninja deu uma corrida louca no final do jogo conseguindo marcar os pontos que garantiram a vitória por 5-1, apesar de eu ter matado quase o dobro de pontos dele.

Malditos chineses!

Round 5: Capture and Protect

Eu já estava meio desanimado, porque tinha caído muito no ranking depois de duas derrotas seguidas, mas a última partida foi na mesa 1, que pertencia ao organizar do evento e uma das mesas mais bonitas do torneio. Também descobri que ia jogar contra Aleph, que é meu segundo exército. Quando vi que meu oponente ia colocar o Aquiles, a loira má em pessoa na mesa, até desanimei de novo. Apesar da mini “humana”, o Aquiles é considerado um “mini TAG”, sendo difícil de atingir por conta do Optic Distortion Device, tendo armadura pesada e correndo feito o papa-léguas. Pra piorar, atira e bate bem. E meus Hassassin não estavam muito bem equipados pra lidar com isso. Um pesadelo.

Pra fechar com chave de ouro minha desgraça, o cenário envolvia capturar uma caixa e trazer de volta pra sua zona de deploy. Qualquer mini podia fazer isso, mas com o Data Tracker (no caso do meu oponente o Aquiles) valia ainda mais pontos. Eu já sabia que tinha pouca chance de conseguir chegar lá, menos ainda com meu Data Tracker.

Meu oponente tinha o primeiro turno, e usou a estratégia clássica do Aquiles: Limpar um pouco o caminho com o sniper com MSV2 e carregar ordens no “Rambo loiro”.

Pra meu desespero, o cara deve ter rolado uns 8 acertos críticos no primeiro turno… meus caras mais expostos, meu remote, foi tudo rapidinho pro saco, e o Aquiles começou o avanço louco pelo centro, quase colando no objetivo. No caminho, consegui tirar um ponto de vida dele com um Daylami heroico, mas ficou por ai.  Terminei o primeiro turno perdendo por 1-0 porque ele conseguiu cumprir um objetivo confidencial com um hacker.

Ai veio o resto do jogo. A única salvação era plantar o dedo, e foi o que eu fiz… joguei Daylamis, Mutts e Muyibs pra cima, e depois de tudo, consegui tirar da mesa o sniper com MSV2, que me impedia de mover pelo centro. Um Mutt conseguiu a façanha de rolar um crítico com pistola em longa distância, os Daylamis não erraram NADA e meu Muyib com Heavy Rocket Launcher conseguiu finalizar com mais um crítico. Descarrilhamos o trem do cara, literalmente. De repente, chegamos no final do jogo e eu tinha 6 ordens na mão e dois Mutts posicionados pra pegar o objetivo. Meu oponente ainda tentou bloquear, mas sem ter como atravessar a fumaça e eu podendo usar as ordens extras dadas pelo Extreme Impetuous, atravessei a mesa e consegui capturar o objetivo dele, e ainda sobraram ordens pra cumprir meu objetivo confidencial e dar um Coup de Grace no Aquiles caído.

Acabei ganhando o jogo por 7 a 1, todos os pontos ganhos no último turno. E matei mais do dobro de pontos.

Resultado final

Fiquei em 29 de 38, nada mal pra quem achava que ia perder 5 de 5! Eu já sabia que não tinha chance de levar o prêmio de melhor army pintado (os PanO pintados de laranja que aparecem em algumas fotos levaram, merecidamente), mas fiquei feliz de ter recebido pelo menos um voto e alguns elogios. Me ajudou ter pintado os 3 HVTs (acho que só mais um cara fez isso) e ter umas bases bem legais e diferentes de todas as outras em uso (bases de Sedition Wars, do Studio McVey) .

O primeiro colocado foi um colega aqui de Copenhague, jogando com Yu Jin (Malditos Chineses!), que por muito pouco não teve um torneio perfeito.

O último prêmio especial foi pra melhor mesa, que foi quase unanimemente uma mesa estilo labirinto que foi trazida da Suécia pro torneio. Fácil e barata de fazer, era um terreno estilo floresta e um labirinto de cubos de pedra, mas surpreendentemente bonita e extremamente inteligente e interessante para se jogar.

A premiação foi muito generosa, com uma mesa lotada de prêmios e cada jogador podendo escolher em ordem de colocação o que quisesse. Acho que todo mundo acabou levando, entre brindes do torneio de pintura, patches, objetivos e prêmios de colocação, mais do que investiram na inscrição, sem contar os dois dias jogando contra exércitos lindamente pintados em mesas impressionantes. Sei que não é fácil pra maioria dos jogadores no Brasil participar de um evento assim, mas tendo a oportunidade e a disposição, eu recomendo!

Infinity Nordic Open
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