O Caso da Defesa Imperial do Piloto Insurgente Poe Dameron

Prólogo

Chegou ao conhecimento desde oficial imperial, o filme de propaganda rebelde intitulado “Os Últimos Jedi”, retratando eventos da recente campanha do remanescente imperial Primeira Ordem contra elementos da frota rebelde (e seus xamãs jedi), após a destruição do canhão galático Starkiller Base, incluindo imagens reais e dramatizações de batalhas e deliberações da liderança de ambos os lados.

O cinejornal foi executado de forma soberba. A técnica da produção, a qualidade de som e imagens são as melhores já vistas até agora. Sua mera existência representa uma ameaça à hegemonia da narrativa imperial, mal acostumada a apoiar-se no carisma dos nossos mártires, Lord Vader e o Imperador.

Todavia, a análise da luta pelos corações e mentes da Galáxia deve ficar para um outro momento. Nos interessa especificamente a conduta do Capitão Poe Dameron, em combate e na sua própria retaguarda, as consequências dessa para os resultados da batalha, para seus confederados e adversários, incluindo eventuais reflexos penais. Ao final, ficará comprovada sua inocência diante das graves acusações de insubordinação e imprudência no exercício do comando que lhe foram imputadas pela liderança rebelde naquele episódio.

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Antes, superemos a principal questão preliminar. Por que agimos?

Dada a natureza bárbara e tribal de nossos inimigos rebeldes, qual a importância da adequação ou não de seus rudimentares procedimentos marciais?

Simples. O Império é uma força de ordem e segurança para a Galáxia, mas também de justiça. Do oficial imperial sempre se espera perícia e profissionalismo militar, mas a honra e os deveres de administração imperial impõem a manutenção de um elevado senso de justiça, capaz de estudar atentamente um conflito, decidir com sabedoria e imparcialidade, atribuindo o mérito a quem de direito e punindo fracasso ou vício quando necessário, mesmo diante das mais furiosas paixões da guerra.

Não se enganem, os crimes do renegado Poe Dameron contra a paz na Galáxia são vastos, gravíssimos e estão, provavelmente, além da misericórdia do benévolo Palpatine, o Grande… apenas não são aqueles narrados em “Os Último Jedi”.

 

O Ataque ao Star Dreadnought Fulminatrix

Primeiro, um breve resumo. Após a destruição do planetoide Starkiller Base por forças da “Resistência”, a milícia pessoal da Senhora da Guerra e Feiticeira Leia Organa, a frota da Primeira Ordem encontra o inimigo em processo de evacuação de sua base no planeta D’Qar.

Na ordem de batalha da Primeira Ordem estava o Star Dreadnought Fulminatrix, armado com os mais poderosos canhões do inventário da Primeira Ordem, capaz de conduzir bombardeio orbital pesado e engajar alvos no espaço.

O guerrilheiro Poe Dameron contacta diretamente o ingênuo comandante da Primeira Ordem, General Armitage Hux, e, usando falso pretexto, ganha precisos minutos de inatividade das forças atacantes.

Segue-se a destruição dos canhões defensivos do Fulminatrix pela solitária X-Wing T-70 de Poe Dameron, como prévia da chegada de esquadrões de caças e bombardeios da “Resistência”. Simultaneamente, a Fulminatrix erradica a presença inimiga em solo e se prepara para alvejar o Cruzador Pesado Raddus, nave de comando da frota da “Resistência”.

Finda a evacuação rebelde, a maga Leia Organa ordena a retirada de seu lugar-tenente Dameron, entendendo que o engodo criado até aquele momento já foi suficiente para garantir a fuga da frota. Dameron protesta contra a ordem, enfatizando o elevado valor estratégico do Fulminatrix. O ataque acaba prosseguindo.

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Apesar do heroico esforço dos esquadrões de TIE Fighters tardiamente lançados em defesa do Fulminatrix, um dos bombardeiros consegue lançar sua carga de bombas, efetivamente destruindo a nave da Primeira Ordem antes que um segundo salvo fosse disparado.

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De volta ao Raddus com um punhado de pilotos sobreviventes, o comandante Poe Dameron é recebido com duras repreensões, acusações de irresponsabilidade e indisciplina, abuso físico e a notícia de seu rebaixamento à patente de capitão.

Poe Dameron merecia tal reprimenda? Certamente não. Comecemos do início.

Antes de tudo, a iniciativa pela continuação do ataque foi de Poe Dameron, mas a liderança rebelde a bordo do Raddus poderia ter cancelado a ordem do comandante e chamado seus caças e bombardeiros de volta. O acusado desligou seu rádio, mas não ordenou que os demais pilotos fizessem o mesmo. Se os demais pilotos ouviram o debate e ainda assim continuaram o ataque é mais uma prova que a inteligência coletiva do veterano enxame rebelde aprovou o curso de ação. Se aquele era um canal privado e o Almirante Ackbar e a General Leia titubearam em revogar a ordem é possível presumir que em alguma proporção desejassem a continuação da missão.

Analisemos a qualidade da troca. Pelo custo de algumas dezenas de caças e bombardeiros insurgentes e pouco mais de uma centena de tripulações, o ataque destruiu totalmente o Star Dreadnought Fulminatrix, uma das maiores e mais poderosas naves de seu tempo, cuja tripulação e guarnição é estimada em duzentas mil almas, além do seu componente orgânico de caças, transportes, veículos blindados etc. A reposição das perdas da “Resistência” é infinitamente mais fácil que a reconstrução e comissionamento de um vaso de guerra colossal como o Fulminatrix. Não resta dúvida que o ataque deixou um magnífico saldo aos fundamentalistas rebeldes e infligiu à Primeira Ordem uma catastrófica derrota.

E quanto a oportunidade da troca? Nem sempre uma boa troca tática pode significar ganhos estratégicos a longo prazo. Talvez os pilotos rebeldes fossem insubstituíveis, quem sabe eles seriam a geração de pilotos que treinariam os futuros kamikazes rebeldes? Nada disso importa, pois foi estabelecido que a Primeira Ordem já tinha a capacidade de rastrear a frota inimiga através do hiperespaço. Logo, caso abortado o ataque, o Fulminatrix também participaria da perseguição que se seguiu à evacuação e seus poderosos canhões eram exatamente o que a Primeira Ordem precisava para romper o impasse. Calar os canhões do Fulminatrix era então uma questão existencial para a frota rebelde, antes cedo do que tarde.

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Mesmo se especularmos sobre uma eventual chegada dos rebeldes na base fortificada do planeta Crait, se o Fulminatrix ainda estivesse operacional seus canhões de assédio poderiam arrasar o abrigo rebelde da segurança do espaço, poupando a Primeira Ordem de um complicadíssimo cerco, diminuindo consideravelmente as chances de sobrevivência do inimigo.

Ressalte-se que plano operacional do comandante Dameron não é exatamente brilhante e dependeu em grande parte de uma cascata de erros da liderança da Primeira Ordem. O medíocre Hux se deixou levar por um óbvio ardil para reduzir sua concentração. Não ordenou a tempestiva destruição de Dameron. Falhou ao não lançar imediatamente sua cobertura de caças, apesar de ter perdido apenas horas antes a Starkiller Base para esquadrões de caças insurgentes liderados pelo mesmo comandante Dameron (um eloquente testemunho de sua feroz reputação). E, finalmente, não deu ordens aos demais Star Destroyers para proteger o Fulminatrix com seus canhões defensivos e/ou engajar a frota rebelde, eles apenas ficam perfeitamente inertes.

Se o ataque fosse interrompido e precisasse ser reiniciado posteriormente, não há garantia alguma que as mesmas condições incrivelmente favoráveis estariam presentes, pois devemos presumir que até mesmo o nosso bom General Hux é capaz de aprender com seus próprios erros em algum momento.

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Alguém poderia dizer que estamos operando com o conhecimento perfeito adquirido posteriormente aos fatos, que a liderança rebelde não sabia do dispositivo rastreador da Primeira Ordem e Dameron foi julgado com base na melhor informação disponível naquele momento. Razão assiste a esse argumento, mas só até certo ponto, pois caberia ao comando da “Resistência” revogar totalmente a decisão que rebaixou Dameron e, ouso dizer, premiar o soldado que estava certo pelas razões erradas e acabara de salvar seu bando mais uma vez.

Por fim, diante de tudo que foi exposto, poderia o corsário Poe Dameron ser punido APENAS com base na sua insubordinação, mesmo quando se sabe que o ataque salvou toda a frota da aniquilação? Entre o Império e seus cidadãos, soldados e pilotos existem os firmes laços de lealdade e disciplina e é com muita cautela que sugerimos a possibilidade de fratura na cadeia de comando, mas há precedente imperial, o único que realmente importa. Quando o Capitão Firmus Piett descobre indícios da base rebelde no planeta Hoth, seu superior o Almirante Kendal Ozzel ignora a descoberta, mas Piett insiste no achado, passando por cima da opinião do seu superior, apresentando a descoberta diretamente a Lord Vader, levando a uma expressiva vitória imperial. No Império, você pode até correr riscos, mas é bom estar certo e Dameron, para o azar da Primeira Ordem, estava.

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A Revolta a Bordo do Cruzador Raddus

Após a destruição do Fulminatrix, a frota da “Resistência” escapa pelo hiperespaço, sendo perseguida pela Primeira Ordem. Sem embargo, o paladino Kylo Ren lidera um ataque quase individual contra o Cruzador Raddus, conseguindo destruir seus hangares e ponte de comando.

Mais uma vez, o medíocre General Hux salva a frota rebelde da destruição certa ao não lançar um ataque maciço de caças e bombardeiros contra o inimigo, medida que certamente teria encerrado a questão, considerando o estrago que apenas uma TIE Silencer e sua minúscula escolta produzem nas débeis defesas do Raddus. O nosso piedoso General, quase como se recebesse do inimigo, ainda suspende o ataque de Kylo Ren para profunda frustração do jovem aprendiz.

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Hux também não se dá ao trabalho de fazer saltar alguns de seus destroyers à frente do inimigo e criar um movimento de pinça ou coisa parecida, preferindo aguardar passivamente por várias horas preciosas até que o combustível da frota da “Resistência” se esgote. A Primeira Ordem dispõe de combustível de sobra, mas lhe falta criatividade e iniciativa.

A bordo do Cruzador Raddus, seus caças e bombardeiros destruídos, mais pilotos mortos, ponte de comando destruída, o moral é o pior possível. Leia Organa usa um encantamento desconhecido para salvar a si mesma do frio do espaço, mas não faz o mesmo pelo seu leal cefalópode. Toda a liderança insurgente perece, menos Leia que é levada desacordada à unidade de tratamento intensivo. Só se pode imaginar o estrago que Kylo Ren faria se tivesses algumas dezenas de TIEs no seu esquadrão.

O comando é transferido para a Vice-almirante Amilyn Holdo. No seu primeiro pronunciamento aos seus novos comandados imediatos, a nova líder suprema preferiu discorrer sobre a noção abstrata de esperança no lugar de discutir um plano para lidar com a iminente aniquilação da “Resistência”.

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Ao se apresentar a sua nova oficial superior, o Capitão Poe Dameron recebe uma acolhida para além de gélida e abertamente hostil. Por razões desconhecidas, Holdo não partilha seu plano (um bom plano, aliás) com o Capitão Poe Dameron. Não fala nem ao menos da existência de um plano, cujos detalhes lhe seriam dados no momento oportuno.

Tenham em mente que, a esse ponto, Poe Damaron é o mais experiente dos oficiais a bordo e o melhor segundo em comando imaginável para Holdo. Não estamos falando de um mero noviço, o Capitão Poe Dameron foi fundamental na aquisição do mapa que continha o paradeiro do perigoso ocultista Luke Skywalker, comandou pessoalmente a destruição da Starkiller Base e do Fulminatrix. Seu insight seria de valor inestimável para execução de qualquer manobra imaginada por Holdo.

As razões pelas quais a Vice-almirante Holdo resolve alienar seu mais formidável subordinado foram levadas com ela para a sepultura e só podemos especular. Holdo não confiava na lealdade de Dameron? Absurdo! O homem é fanaticamente leal ao seu bando tribal. Holdo deseja dar uma lição ao seu inquieto subordinado, reafirmando sua autoridade? Se foi esse o caso, escolheu o pior momento possível para transformar um campo de batalha ativo numa sala da academia. Holdo acredita que Poe Dameron poderia criar obstáculos ao desenrolar do plano? Não há como prever exatamente a reação de Poe Dameron ao plano de Holdo (até porque essa oportunidade nunca lhe foi dada em nenhuma capacidade), mas não há motivo para crer que ele representava um risco à sua execução.

O fato é que Poe Dameron foi levado a considerar medidas extremas e, na falta de quaisquer ordens ou diretrizes superiores, passa a dar ouvidos a um esquema temerário e irresponsável concatenado por um desertor e uma mecânica do Raddus. Um mau plano ainda é melhor que plano nenhum diante da morte certa.

Todas as iniciativas de Poe Dametron para estabelecer algum diálogo com sua oficial comandante fracassaram. Poe Dameron não poderia levar o assunto à consideração de Leia Organa. As horas passam e qualquer pessoa na situação de Poe Dameron pensaria o mesmo, algo tem de ser feito, alguém deve assumir a responsabilidade, pois o comando da frota parece incapaz de agir.

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A agitação se torna palpável e Dameron, com a ajuda de outros oficiais insurgentes, incluindo a Tenente Connix e uma lagosta fardada, assume o controle da nave e nem assim a Vice-almirante se propõe a desarmar a crise dialogando abertamente com seus próprios soldados em pânico. Notem que várias figuras proeminentes da “Resistência” aderem voluntariamente à iniciativa de Dameron, o que demonstra o quão generalizada era a insatisfação com a condução da frota.

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É um princípio universal de liderança que uma via livre de comunicação deve existir entre subordinados e comandantes, cabendo a estes emitir ordens claras e suficientes para que cada um dos seus oficiais saiba o conheça a missão e o que se espera dele. Deve existir também um laço de confiança entre camaradas de farda, mesmo nas mais tribais e fanáticas hordas. Sem motivo aparente, Holdo optou por fazer crer que todos rumavam para morte certa, dilapidando a fé de seus homens e mulheres na sua liderança e, por fim, diminuindo as chances de sucesso do próprio seu plano. O Capitão Poe Dameron foi antes uma vítima de sua conhecida audácia e agressividade, mas em nenhum momento agiu além do que se poderia esperar, dadas as circunstâncias extraordinárias, e só podemos imaginar o bem que este soldado faria à Galáxia se trocasse de o laranja pelo negro.

 

Epílogo em Crait

Quaisquer que fossem os erros cometidos pela Vice-almirante Holdo até a fuga para Crait, sua genial manobra suicida, jogar o Raddus contra o Mega Star Destroyer Supremacy, usando o hyperdrive, concebida de improviso, a redime totalmente. O sacrifício do solitário cruzador mutila o Supremacy e provoca danos catastróficos na frota da Primeira Ordem.

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E aqui, um comentário. É seguro dizer que a Galáxia jamais será a mesma agora que sabemos que motores de hyperdrive podem ser transformados em armas. Nem mesmo o advento da Estrela da Morte é comparável à revolução iniciada por Holdo, pois a construção daquela instável Estação de Batalha é proibitivamente cara, menos para o Império Galático no seu auge, e até mesmo a mais rudimentar gangue de piratas possui um ou dois motores velhos disponíveis.

Nos próximos meses e anos, os estrategistas, táticos e responsáveis pela pesquisa e desenvolvimento de sistemas militares de todas as facções estarão freneticamente comprometidos com o domínio e prevenção da nova técnica desenvolvida pela Vice-almirante Holdo.

Se Holdo se despede com glória, o Capitão Poe Dameron ainda terá mais uma oportunidade de demonstrar porque é o guerreiro mais perigoso da “Resistência”. Depois de um ataque frustrado contra o gigantesco (e dolorosamente lento) canhão de assédio trazido pela Primeira Ordem, onde uma inexplicável colisão entre duas viaturas da “Resistência” salvou aquele engenho de mais outra investida suicida, Poe Dameron e seus cúmplices parecem condenados.

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Eis que o enigmático summoner jedi Luke Skywalker surge nas entranhas do complexo de cavernas que abriga os poucos insurgentes ainda vivos. Ou assim parece. O poderoso extremista interage com sua irmã e sem embargo parte para confrontar seu antigo pupilo. Talvez por sofrer de síndrome do estresse pós-traumático desenvolvida quando da tentativa de assassinato que sofreu nas mãos do seu professor e tio, Kylo Ren não nota que há algo muito estranho na abordagem de Luke Skywalker.

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Tudo não passava de um outro ato de feitiçaria jedi, concebido para, mais uma vez, atrasar as operações da Primeira Ordem, permitindo a fuga dos poucos insurgentes ainda vivos depois do disparo do canhão de assédio. Luke Skywalker produz uma ilusão de si mesmo, capaz de interagir com pessoas, objetos e até a brisa do planeta (mas não com o solo).

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Só há um problema. Por razões desconhecidas, Luke Skywalker não informa aos seus confederados rebeldes o seu plano. Nem ao menos uma recomendação para busquem escapar e fugir. Parece haver uma certa deficiência sistêmica de comunicação na “Resistência”. Ao observador dos dois lados, parece que uma luta realmente vai acontecer. E se os insurgentes lançassem um ataque conjunto? E se tivesse permanecido e decido lutar? Teriam sido massacrados.

Cabe ao Capitão Poe Dameron deduzir o plano de Skywalker e ordenar a retirada, provando, mais uma vez, sua capacidade analítica para avaliar custos e benefícios em tempo real, sob o calor da batalha. A “Resistência” sobrevive para lutar outro dia e Poe Dameron merece o título de homem mais perigoso da Galáxia.

 

 

2 comentários em “O Caso da Defesa Imperial do Piloto Insurgente Poe Dameron

  • 06/11/2018 em 2:43 pm
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    Fantástico! Melhor impossível. Resta saber qual o lado mais atrapalhado, porque o sortudo já sabemos.

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  • 07/25/2018 em 3:48 pm
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    Excelente resenha, parabéns! “Deficiências sistêmicas de comunicação” acontecem nas melhores organizações. Kkkkkk

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