TIE Silencer – Um Começo Difícil

Na história de Star Wars, Kylo Ren ocupa um lugar bastante controverso. Para alguns, um vilão trágico, divido entre forças esmagadoras e em constante batalha contra seus demônios interiores. Para outros, um jovem mimado, violento e megalomaníaco, obcecado pelo desejo de igualar seu icônico antepassado.

Sua nova nave, a TIE Silencer, parece ter sido desenhada fiel à reputação de seu ilustre piloto, tamanha a incerteza que cercou seu pré-lançamento.

 

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Fuselagem

Antes de tudo, salientamos que essa é uma análise preliminar da TIE Silencer, sujeita a revisão posterior na medida em que forem revelados novos elementos. Todavia, em especial no que concerne ao próprio Kylo Ren, foi apresentado um bom volume de dados incontroversos, hábil a permitir a detecção de suas virtudes e defeitos. Analisemos a fuselagem.

Dispondo de apenas dois escudos e quatro cascos, a Silencer não impressiona, considerando que nela poderá estar facilmente investida quase a metade dos pontos do seu esquadrão. Estamos no auge do reinado das bombas (e da intragável Sabine) e danos automáticos diversos, ameaças contra as quais os caprichosos dados verdes são inúteis, o que deixará o jogador da frágil Silencer sem margem de erro, a um “drop” de uma catástrofe.

Quanto ao poder de fogo, seus três vermelhos, sem a opção de mísseis ou torpedos, fazem da Silencer uma carabina com preço de fuzil de assalto, imprópria para liderar alfa strikes, e seus três verdes estão apenas dentro da tradição imperial de aces arc-dodgers ligeiros.

Sua barra de ações possui uma boa e uma má notícia. Primeiro a boa, a combinação nativa de skill elevado, impulso, pirueta e a (provável) abundância de manobras verdes já habilita Kylo a mover-se como demônio no campo de batalha, sem descuidar da defesa contra torres de tiro usando os sempre desejáveis Autothrusters.

E agora a má, não há ação de esquiva ou meio nativo eficaz de ganhar tais tokens de outra forma, o que em circunstâncias normais limitará a Silencer a, no máximo, três esquivas por ataque. Esse é um problema bastante sério, pois há uma infinidade de naves com poder de fogo suficiente para atingir quatro ou mesmo cinco hits por ataque e, o pior, pelo menos uma dúzia de pilotos podem fazê-lo no skill nove ou maior. Vader, Quickdraw, Nym, Dengar, Cobra, são apenas alguns dos pilotos ágeis o suficiente para mover depois e atacar antes ou simultaneamente com Cruise ou Harpoon Missiles, colocando Kylo em grave risco mesmo antes do primeiro tiro.

 

Slots e Título

Considerando ostentar um dos maiores preços dentre todos os pilotos de base pequena, a Silencer pilotada por Kylo Ren não possui uma grande variedade de slots, apenas três, Talento de Piloto de Elite, Sensor e Tech. Felizmente, essa magra combinação possui grande sinergia com o propósito da nave. O Talento de Elite, em combinação com um provável bom dial, abre espaço para a consagrada carta Forçar o Limite ou, subsidiariamente, para entrar na corrida de skill de piloto.

O slot de Sensor possui duas óbvias e esplêndidas opções, o consagrado Sistema de Controle de Tiro para economia de ações e Advanced Sensors, nosso favorito no momento, que pode oferecer alguma proteção contra bombas e obstáculos colocados no seu caminho, além de ampliar exponencialmente a mobilidade quando combinado com Forçar o Limite.

O slot de Tech é um dos mais exclusivos do jogo e lança novidades engenhosas a cada edição, ainda que nesse momento não exista opção manifestamente ideal para a Silencer. Lamento que um slot de míssil não tenha sido incluído no desenho, sua ausência será sentida.

O título Vanguarda da Primeira Ordem também não está imune a escrutínio. É de pouca importância o fato de ser único (não se espera ver mais de uma Silencer em ação), mas o preço de dois pontos já é significativo. A parte ofensiva do título parece uma quimera, com uma cláusula que depende do inimigo separar suas forças e um bônus que facilmente pode se tornar redundante com o uso constante de mira via Força o Limite ou por meio do Sistema de Controle de Tiro. Se ao menos o efeito transformasse um olho em acerto, liberando o desesperadamente necessário foco para a defesa, mas os engenheiros imperiais perderam essa óbvia oportunidade de integrar melhor título e nave.

A parte defensiva do título é bem mais interessante, considerando a raridade de efeitos capazes modificar dados verdes. Rolar novamente três verdes pode facilmente lhe garantir mais um turno na mesa. Infelizmente, o título nada fará para lhe salvar do flak de bombas e minas, nossa maior ameaça no momento. Enfim, é cedo para determinar seu real valor, ainda mais considerando que qualquer esquadrão com Kylo Ren estará estrangulado pelo preço em pontos.

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Habilidade do Piloto Kylo Ren na Silencer

Para nossa profunda consternação, Kylo Ren manteve sua habilidade de piloto. Como se sabe, Kylo Ren fracassou em causar qualquer impacto na guerra como piloto de Upsilon. Em que pese as razões desse revés sejam em grande parte culpa da própria Upsilon, sua habilidade de piloto pouco fez para mudar esse destino. Por que?

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Acreditamos que o grande problema da habilidade em questão é a sua natureza passiva, a quase completa falta de iniciativa. Cabe ao inimigo, e não a você, a escolha do melhor momento para lidar com a ameaça.

Alguém pode questionar esse julgamento, lembrando que pilotos como Dengar e Quickdraw estão no topo da cadeia alimentar também dispondo de habilidades cujo gatilho está nas mãos do inimigo. Ocorre que Dengar e Quickdraw, quando atacados, representam uma ameaça instantânea, sem maiores embaraços além de ter o inimigo na mira. Kylo Ren, por sua vez, depende do alinhamento de vários fatores, apenas lançar a condição de pouco servirá se você não estiver posicionado para atacar o alvo e conseguir um acerto crítico não defendido (lembrando que nada na Silencer parece indicar a capacidade de manipular críticos, o que já é outro problema). No caso de múltiplos atacantes no mesmo turno, nem a ativação da habilidade você controla, cabendo a condição obrigatoriamente ao primeiro que lhe acertar.

E eu já mencionei a ameaça das bombas? Pois bem, bombas e danos automáticos não acionam a habilidade do paladino da Primeira Ordem.

É um drama que possui três ou mais atos antes do clímax. Até lá, pode ser tarde demais.

Cumpre salientar que Kylo Ren como tripulante possui resultados melhores porque todo seu esquadrão pode trabalhar em conjunto para conseguir o efeito desejado (calar as armas do inimigo ou reduzir seu skill) da forma mais rápida, brutal e segura possível, nos melhores termos para seu controlador. Apostar que o mesmo será possível quando o inimigo tem algo dizer, parece arriscado demais.

Mas não é só isso. Além da habilidade ser demasiado complexa, ainda está numa nave totalmente avessa a exposição ao fogo inimigo. Pelo menos em tese, a Upsolon poderia ser entregue ao sacrifício por uma ou duas rodadas e suportar o castigo, mas com a Silencer, você estará jogando numa roleta mortal, apostando que, a cada ataque que você sofre, passará apenas o dano necessário à ativação da habilidade. Parece algo para nervos de aço.

Se você está voando com uma caríssima arc-dodger de nove de skill e com apenas seis pontos de vida é bom que você esteja evitando o risco… ou se chame Fenn Rau. Diante de tantos dilemas, por que se importar com tal habilidade at all?

 

Preço e Conclusão

Em resumo, de todos os dilemas do Kylo Ren na Silencer, o mais grave é o risco de investir tantos pontos (e dólares, tenha piedade das nossas carteiras, FFG!) numa nave relativamente temperamental, cuja integração entre piloto e máquina não é perfeita, num meta desfavorável de bombas e absorção de danos. É impossível não se desanimar quando o Kylo custará mais totalmente vazio que o Fenn Rau totalmente equipado.

Só nos resta esperar pelo melhor, desejando um dial estupendo que preencha o abismo no custo-benefício, a chegada do Grande Nerf, ou ambos.

Saudações aos amigos e boa caçada!

 

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3 comentários em “TIE Silencer – Um Começo Difícil

  • 09/18/2017 em 5:31 pm
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    Belíssimo texto e com ele acrescento à minha opinião que, Kylo é um adolescente mimado e que nada está fazendo para se parecer com seu “grande” avô”.

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    • 10/14/2017 em 8:04 am
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      Ôoo comentário clichê… É um bom personagem sim,
      Darth Vader não matou o pai.

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  • 09/18/2017 em 10:34 pm
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    Pefeito. Não esqueceu de sequer um aspecto, optando pela sutileza ao comentar o preço. Ocorre que é a primeira nave pequena elevada à escala de média com um enorme esforço e embalada em uma caixa. A expansão v por um preço de nave grande. O que mais intristesse nessa “opção” da FFG é que a escala é totalmente discrepante com os dados divulgados pela Disney, que já se encontra a disposição do mais curioso dos pilotos. Ela seria mais achatada que uma tie interceptor e um pouquinho mais longuilinea. Como último lamento registro o meu protesto pela ausência do cloack na barra de ações. Acreditava que essa nave rejuvenesceria essa maravilhosa mecânica. Nos resta esperar.

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