TIE/SF – O Cisne Imperial

Todos conhecem a fábula do patinho feio que, esnobado pelos seus irmãos, acaba se revelando um belo cisne na maturidade.

Quando do seu lançamento, a TIE/SF parecia destinada ao segundo escalão. Com apenas dois verdes, sem ação de esquiva, sem o esperado slot de tripulação (sorry rebels, quando roubarem essa nave, nada de Poe Dameron e Finn juntos para vocês) e habilidades de piloto intrincadas, haviam poucas vantagens óbvias e defeitos graves nessa máquina. Mesmo o muito debatido arco de tiro secundário consistia em anêmicos dois vermelhos e apenas um piloto, Backdraft, o usaria regularmente. Somente hipsters e visionários insistiam na nave, com resultados irregulares.

Pior, eram os tempos de glória da TIE Defender X7. Muito mais robusta, contando com uma esquiva praticamente incondicional por turno e um belo rol de pilotos, a Defensora era um investimento mais seguro para seus pontos. Considerem ainda que a manobra k-turn branca, quando bem utilizada, poderia criar um substitutivo para o arco auxiliar da SF, fazendo da Defender uma nave tão ou mais difícil de perseguir quanto sua confederada da Primeira Ordem.

É a rivalidade interna de cada facção, mais que qualquer outro fator, que varre uma nave das mesas de X-Wing.

Ironicamente, foi a vingativa FFG (com a ajuda de alguns poucos upgrades) que definitivamente salvaria a TIE/SF da obscuridade. A crise do Grande Nerf foi um desastre para o Império. A Defender, ainda que se mantenha uma arma superlativa, sofria agora do comportamento temperamental que é característica dos modelos imperiais. O Nosso Amado Imperador, sitiado, não ofereceria mais Sua Proteção de forma incondicional, atingindo esquadrões que confiavam na Sua Bênção para atingir virtual invulnerabilidade defensiva, combinada com oportunismo ofensivo.

Mas queda de alguns é a oportunidade de outros e o caminho estava aberto para a TIE/SF.

 

Fuselagem, Slots e Dial

Chega de História, analisemos a fuselagem. Dispondo de três escudos e três cascos, a SF está relativamente segura, não havendo muito que se possa elogiar ou criticar. Sua barra de ações é humilde, dispondo de Mira e Foco, o que seria de esperar pelo preço, e pirueta, uma habilidade tradicional dos modelos imperiais. Os dados vermelhos e verdes são fatores bem mais capciosos.

Com apenas dois dados vermelhos nos arcos principal e auxiliar, a TIE/SF possui ligação umbilical com seu título e, quase sempre, vai adicionar um dado extra no ataque frontal. Apenas o piloto Backdraft possui um ferrão traseiro realmente perigoso e, no geral, o tiro auxiliar só deve ser usado para golpes oportunistas na distância um.

Dispondo de apenas dois verdes e sem esquiva, a SF seria presa fácil de quase qualquer coisa nesse jogo, especialmente num momento em que o ataque com três vermelhos é considerado padrão e uma infinidade de inimigos podem gerar ataques modificados de quatro vermelhos de forma consistente. O lançamento da modificação Lightweight Frame serviu de paliativo para o problema, garantindo um virtual terceiro ponto de agilidade. Não é nenhum autothrusters, mas se funcionar uma única vez já terá sido mais barato que Hull Upgrade. Já ouvi lendas de jogadores que preferem Twin Ion Engine Mark II (no Backdraft) ou Shield Upgrade (na Quickdraw), mas são quimeras, o fato é que, até o momento, não há como bater o custo-benefício da Frame e o slot está basicamente cativo nas builds ortodoxas.

No slot de sistema há um pouco mais de diversidade, mas existe um franco favorito, o Sistema de Controle de Tiro. Por apenas dois pontos, essa pequena maravilha renovará sua mira no alvo atacado. Não importa se você colidiu, se está estressado. Se atirou com primária ou míssil. Qual arco usou. Não é por acaso que esse upgrade se manteve relevante por tantas waves. Alguém poderá argumentar que Electronic Baffle pode ativar a Quickdraw imediatamente ou Sensor Jammer pode aumentar a longevidade do Backdraft, mas é muito difícil competir com a simplicidade implacável do Sistema de Controle de Tiro.

O slot de Tech parece ser aquele mais influenciado pelo estilo e estratégia de cada jogador, não havendo escolhas óbvias. Primed Thrusters, Sensor Cluster, Pattern Analyzer, Targeting Coordinator são os mais comuns e cada um trará remédios para vulnerabilidades conhecidas. Mais circunstancial ainda é o slot de míssil, não havendo nenhum que seja “staple” na SF. Falaremos um pouco mais quando da análise individual de cada piloto.

Em se tratando de Talento de Piloto, a SF, em especial nos seus dois aces, demonstra bastante versatilidade, isto porque, dispondo também do Slot de Sistema, você pode deixar um deles a cargo da agressividade (Predador, Sistema de Controle de Tiro, Crack Shot, A Score To Settle, Expertise etc) e outro para efeitos de controle ou defesa (Sensor Jammer, Veretan Instincs, Adaptability, Draw Their Fire etc) ou mesmo ir “all in” em poder ofensivo, criando uma ameaça que não poderá ser ignorada pelo inimigo.

Finalmente, o dial. Confesso que quando do lançamento, o dial da SF não pareceu nada impressionante. A abundância de curvas fechadas vermelhas e o pequeno número de manobras verdes em geral, pareciam um péssimo negócio diante do conjunto de Defenders X7 ou da Advanced Prototyope quando pilotada pelo Grande Inquisitor apenas para citar alguns rivais.

Ocorre que o dial da SF é um gosto adquirido, leva algum treino para descobrir suas virtudes ocultas. Primeiro, as habilidades de seus aces não são afetadas por estresse. Segundo, trabalhando em conjunto, seus slots garantem um bom grau de economia de ações, mitigando ou anulando o efeito do estresse proveniente de uma manobra vermelha. Sistema de Controle de Tiro  garante rerolagens, Partern Analyzer e Primed Thrusters garantem reposicionamentos estranhos e imprevisíveis e por aí vai.

Um destaque vai para a manobra S-loop na velocidade 3, bastante difícil de bloquear, e, quando combinada com cartas como Primed Thrusters, Pattern Analyzer ou Cruise Missiles cria um alvo esguio que vai se reengajar na peleja quase sem prejuízo.

 

Os Pilotos

Zeta Specialist – Infelizmente, os pilotos regulares não são aproveitáveis pelo preço elevado que lhes foi atribuído, somado à fragilidade natural da SF. Um Zeta equipado com Sistema de Controle de Tiro e Lightweight Frame custa vinte e sete pontos, quase tão caro quanto uma Defender X7 Delta, e, provavelmente, será destruído mais rápido. É a combinação dos upgrades certos, dial, skill elevado e a habilidade do próprio jogador controlador que fazem da SF uma arma afiada, os genéricos simplesmente não tem os recursos e poder de permanência para justificar seu preço. Todavia, se você tiver de usar um desses, sugerimos o uso apenas do essencial Sistema de Controle de Tiro e, ocasionalmente, Lightweight Frame. Quatro deles, usando apenas o referido sistema, podem ser agrupados num esquadrão de cem pontos, numa experiência que deve lembrar bastante os tradicionais esquadrões rebeldes de quatro B-Wings.

 

Omega Specialist – Se a situação do Zeta era funesta, o Omega Specialist não é diferente. Por dois pontos a mais que o Zeta, você leva dois pontos de skill e o upgrade de Talento de Piloto, o que em outras circunstâncias até poderia ser um bom negócio, mas não com Backdraft custando apenas mais dois pontos e oferecendo mais skill e uma habilidade que sana a conhecida debilidade do arco traseiro da SF. Um bom termômetro do insucesso das genéricas é a sua modesta participação nos torneios dentro e fora do Brasil, enquanto os melhores da classe, Backdraft e Quickdraw, encontram trabalho em diversas capacidades. Todavia, se você desejar realmente jogar com o Omega, há pelo menos um registro onde dois deles (na configuração que segue), pareados com a Whisper, conseguiram bons resultados em competições.

 

Quickdraw – Ao lado do Barão Soontir Fel e do próprio Lord Vader, a ace Quickdraw possui o maior skill dentre pilotos imperiais e, ao contrário deles, possui uma flexibilidade bem maior na sua construção. Um artigo do mesmo tamanho deste se justificaria apenas para analisar suas possíveis missões, mas vamos nos limitar a sua visão geral e a algumas combinações tradicionais dessa destemida ace.

A habilidade de riposte da Quickdraw oferece um privilégio raríssimo dentre os aces imperiais: se expor. É uma das mais agressivas naves imperiais. Um bom jogador de Quickdraw não terá medo de correr riscos, mas um jogador excelente vai manobrar de tal forma que o inimigo tenha de escolher entre atacá-la e sofrer danos desproporcionais logo no início ou correr o risco de deixar ilesa uma ace extremamente móvel, agressiva e de elevado skill para um final de combate angustiante.

Nem tudo são vantagens, todavia. Os dois pecados capitais da Quickdraw são permitir que múltiplos inimigos a ataquem simultaneamente, o que pode diluir o efeito de seu contra-ataque para apenas um turno, caso todos os escudos forem perdidos de uma só vez, ou, pior ainda, permitir que o inimigo explore seus cantos cegos, situação em que sua habilidade de piloto pode ser totalmente anulada.

Quickdraw também pode ser construída de modo a exercer múltiplos papéis, vejamos algumas delas:

Quickdraw com A Score to Settle, Sistema de Controle de Tiro, Lightweight Frame e o Título por apenas trinta e três pontos com ênfase no baixo custo. Nessa configuração, minha favorita, nenhum ace imperial entrega tanto por tão pouco, especialmente se consideramos a vulnerabilidade dos seus rivais Grand Inquisitor e do Barão Soontir Fel a bombas e minas. Use com Kylo Ren e mostre o Poder do Lado Negro;

Quickdraw com Expertise, Sistema de Controle de Tiro, Lightweight Frame e Título por trinta e sete pontos para ênfase no poder de fogo. Mesmo sem escudos, uma formidável adversária. Adicione Yorr mais Palpatine para não ter de se preocupar com estresse “desligando” seu Expertise.

Quickdraw com Swarm Tactics, Cruise Missile/Homing Missile, Sistema de Controle de Tiro, Guidance Chips e Targeting Synchronizer para uma ace capaz de conduzir um devastador alpha strike e partilhar skill e miras necessários para que outros wingmen atirem simultaneamente. Lembrem que os novos Cruise Missiles já estão entre os cinco melhores upgrades da Wave e o Império está bem posicionado para tirar proveito da nova arma.

É possível ver que não há uma única receita para o sucesso. Se você teme a corrida de skill, use Adaptabilidade ou Instinto de Veterano. Se realmente deseja ver seus danos entrarem logo, use Crackshot. Para piruetas surpreendentes mesmo estressada, use Primed Thrusters, caso a durabilidade lhe preocupe mais, Sensor Clusters. É tão modular que quase parece uma nave da Escória.

 

Backdraft – Se o lema da Quickdraw fosse “Audácia”, Backdraft adicionaria “mas não muita”. Sem o elemento de dissuasão do revenge attack de sua irmã mais talentosa, Backdraft precisará se manter vivo explorando uma pilotagem cautelosa e avessa ao risco. Felizmente, sua habilidade de piloto e skill, quando combinados com os slots do chassi da SF, estão a altura do desafio, ainda que sem a mesma flexibilidade da Quickdraw.

Antes de tudo, recomendamos o uso de Instinto de Veterano. É que o skill elevado influencia tanto na defesa, permitindo uma melhor compreensão de ameaças imediatas e a adoção das respostas adequadas (piruetas, foco etc),  quanto no ataque (atirar primeiro é em si uma providência de caráter defensivo na medida em que pode remover naves inimigas ou seus recursos). Considerando a fragilidade natural da SF, recomendamos o uso de Lightweight Frame para aumentar a longevidade do piloto, salvo se a missão for um lançar um alpha strike, situação em Guidance Chips podem ser considerados, mas advertimos que essa estratégia deve ser usada apenas pelos que gostam de viver perigosamente. Sistema de Controle de Tiro é sempre uma escolha sensata para garantir modificações e liberar sua ação para foco ou pirueta (evasiva ou para ajuste de arcos).

No slot de tech, temos alguma flexibilidade e uma sintonia fina com a missão ou as preferências pode ser procurada. Os suspeitos de sempre são Sensor Cluster, Pattern Analyzer, Primed Thrusters e, mais excêntrico, Targeting Synchronizer.

Um último conselho. É uma tendência comum do jogador de Backdraft procurar as mais extraordinárias formas de usar o arco traseiro, mesmo em detrimento da segurança do piloto ou do esquadrão. Salientamos a imprudência de perseguir esse tipo de tática. Sua principal virtude está imprevisibilidade de seus movimentos e da exploração inteligente dos dois arcos, plenamente capazes de enfrentar o inimigo. Se você estiver determinado a usar o arco traseiro a qualquer custo, pode acabar telegrafando seus movimentos ao inimigo ou mesmo se ver numa troca onde o acerto crítico automático não compense o risco.

 

Isso conclui nosso artigo, obrigado pela atenção. Recomendamos aos colegas imperiais o aproveitamento deste diamante que vem sendo lentamente lapidado pelo atrito do combate. Feliz caçada e até breve!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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